BRICSA: Brasil, Rússia, Índia, China e…África do Sul!

Foto tirada hoje -- Navio brasileiro ancorado na Baía da Mesa, próximo ao Water Front V & A, na Cidade do Cabo -- parte do projeto de cooperação do IBSA.

Foto tirada hoje. Navio brasileiro ancorado na Baía da Mesa, próximo ao Water Front V & A, na Cidade do Cabo -- parte do projeto de cooperação do IBSA.

IBAS aproxima interesses dos 3 países em assuntos globais

Índia, Brasil e África do Sul, desde a formação do Grupo, têm intensificado suas relações comerciais e de cooperação mútua

Thiago Pereira*
Cidade do Cabo, África do Sul

Em 2003, o Brasil lançou as bases de uma união política e econômica com Índia e África do Sul, em uma reunião no Itamaraty. Estabelecido em junho do mesmo ano pela “Declaração de Brasília”, o IBAS – sigla para Índia, Brasil e África do Sul – é um mecanismo de coordenação entre três países em crescimento, três democracias multiétnicas e multiculturais, que estão determinados a redefinir sua posição no mundo, a unir vozes em temas globais e a contribuir para a construção de uma nova agenda internacional. Para o futuro, é possível a criação de uma área de livre comércio entre Índia, Mercosul e a SACU (União Aduaneira do Sul da África).
Segundo Paul Bannister, CEO do International Marketing Council of South Africa – IMC, entidade que visa a promover ações para melhorar a imagem da África do Sul, durante a abertura do International Media Tour, que está sendo realizado nas cidades de Johanesburgo e Cidade do Cabo entre os dias 21 e 28 de junho, “a África do Sul deve e tem condições de transformar o BRIC em BRICSA” – fazendo alusão à entrada do país africano no Grupo. Bannister complementa: “o IBAS, então, é o início e o caminho a ser seguido para atingir esse objetivo”.
Para o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “não é possível falar em relações Sul-Sul sem mencionar essa aliança. Ela é identificada como a união de grandes democracias do Sul, um espaço de cooperação entre países emergentes”. Lula já é considerado decano no IBAS, dado que é o único Presidente que está envolvido no processo desde o início.
Tendo encerrado seu primeiro ciclo de Cúpulas de Chefes de Estado e de Governo em outubro de 2008, com um evento na Índia, em Nova Délhi, nota-se que o IBAS passou a ser o guarda-chuva de inúmeras iniciativas diplomáticas e em setores variados da Administração Pública.
Já foram assinados e encontram-se em fase de ratificação oito instrumentos, nas áreas de: Transporte Aéreo – a África do Sul planeja iniciar operação de vôos regulares para a Argentina, com intenção de estreitar seu relacionamento com a América do Sul, e não apenas com o Brasil; Navegação Mercante e Transporte Marítimo; Sociedade da Informação; Agricultura; Combustíveis – há um acordo sobre Biocombustíveis; Administrações Aduaneiras e Tributárias; e Turismo. Segundo o Departamento de Assuntos Internacionais do Governo da África do Sul “a expectativa é que todos os textos e documentos produzidos, aprovados ou em curso de aprovação, sejam acompanhados de ações efetivas dos 3 países”.
Atualmente o IBAS é reconhecido como um bloco internacional multirregional e que serviu como base para ações mais incisivas da diplomacia brasileira no verdadeiro campo que interessa ao Brasil: o comércio exterior. O IBAS, que ajudou a dar o empurrão inicial na criação do G-20, grupo de países em desenvolvimento que são grandes produtores e exportadores de alimentos, transformou-se em um dos mais relevantes interlocutores na OMC. A Rodada de Doha, por exemplo, foi pauta principal da Cúpula de Nova Délhi.
Os três países que compõem o Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul pretendem ampliar o comércio entre si de uma média anual de US$ 8 bilhões para US$ 15 bilhões nos próximos 2 anos. E o fato das duas próximas Copas do Mundo de futebol (2010 e 2014) terem como sede Àfrica do Sul e Brasil contribui para esse marco, já que os países terão de investir em áreas-chave, como infraestrutura, logística e comunicação. Para Yusuf Omar, Cônsul-geral da África do Sul em São Paulo, “a Copa de 2010 é a oportunidade de acelerar o crescimento e o desenvolvimento, mostrar o país e o continente ao mundo, estimulando novos empreendimentos”.
Os resultados das ações empenhadas pelo Grupo começam a aparecer. O significativo crescimento das exportações brasileiras entre os anos de 2002 e 2008 – de cerca de US$ 60 bilhões para mais de US$ 160 bilhões – decorreu, principalmente, do incremento das vendas para países em desenvolvimento. Esse grupo comprou, em 2005, 53% das exportações do Brasil, contra apenas 43% em 2002. Para a Índia, as exportações passaram de US$ 653 milhões em 2002 para US$ 1,13 bilhão aproximadamente nos últimos anos; para a África do Sul, de US$ 477 milhões para US$ 1,36 bilhão.
A intensificação do relacionamento comercial entre os países será, dentre vários assuntos, certamente, um dos tópicos de maior destaque da quarta edição da Cúpula de Chefes de Estados do IBAS, que ocorrerá em 8 de outubro, em Brasília. Antes, porém, na segunda semana de julho, no Rio de Janeiro, haverá um encontro preparatório do IBAS.

*Viajou a convite da Brand South Africa para participar do International Media Tour.

–> artigo também publicado em 23/06/09 no Jornal do Brasil.

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3 Respostas to “BRICSA: Brasil, Rússia, Índia, China e…África do Sul!”

  1. thiagopereira10 Says:

    Jacob Zuma falou sobre o IBAS no Parlamento hoje!

  2. Raphael Says:

    Blz Thiago, excelente texto. Abs.

  3. Carolina Says:

    Thiago, ótimo texto!

    Se quiser ler mais sobre o assunto, tem um blog muito interessante:
    http://www.ideas4development.org/

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